Senador Fabiano Contarato (Rede-Es)
Suspensão do direito de dirigir
Resposta: A CNH é uma concessão do Estado que permite que cidadãos dirijam sem oferecer riscos. Se o motorista comete infrações que expõem a sua falta de atenção às regras de trânsito, o correto é que tenha a carteira suspensa. O país é um dos mais matam no planeta em acidentes de trânsito: nas cidades e nas estradas. Isso com o limite de 20 pontos em infrações para suspensão dessa concessão. Imagine como ficaremos, se, de uma hora para outra, subir para 40 pontos! Vamos, com isso, premiar e incentivar o mal comportamento no trânsito, passando a mão na cabeça dos infratores e expondo a população a riscos maiores. Essa medida só vem encorajar uma minoria de condutores, que são infratores frequentes, a cometerem mais infrações por ano. É dar um salvo-conduto para as infrações. Sou contra, evidentemente.
Transporte de crianças
Resposta: Deixar de punir com multa os motoristas que não utilizam o equipamento obrigatório é colocar em risco a vida das crianças. Será um retrocesso porque a tendência é, ao longo dos anos, as pessoas perderem o hábito de usar cadeirinha. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) evidenciam que o uso da cadeirinha, devidamente instalada, de acordo com a idade, reduz em até 70% as chances de as crianças de até sete anos morrerem em um acidente de trânsito.
Exame toxicológico
Resposta: É mais um grande erro do projeto. Os motoristas profissionais (categorias C, D e E) têm de passar por exames em vista de haver um grande número de acidentes no exercício da profissão. O exame busca identificar quem estaria, por exemplo, fazendo uso de “rebites”, drogas psicoativas nos três meses anteriores. Tenho certeza de que é do total interesse da população que sejam rigorosos os exames para detectar se os motoristas estão dirigindo em boas condições de saúde, de reflexo e de atenção. Sabemos, no entanto, que muitos realizam jornadas excessivas e estressantes. Por isso, esgotados, causam acidentes. Então, é fundamental manter os exames.
Multa mais branda para motociclista
Resposta: Aqui, no Espírito Santo, o número de mortes em acidentes com motos subiu 42%, na comparação dos três primeiros meses deste ano com os três primeiros meses de 2018. A nossa frota já ultrapassa 537 mil unidades. Agora, vem esse projeto querer reduzir a gravidade da multa para quem pilotar moto com capacete sem viseira ou sem óculos. Qual é o embasamento técnico para isso? Não tem razão alguma, benefício nenhum para a população. É puro populismo. E o pior é que se faz populismo às custas da vida de milhares de brasileiros. Trânsito é coisa séria. Não posso ser a favor de afrouxar as regras dessa maneira. É um desrespeito às vidas.
Enviada para jornal Hoje ES em 10.06.2019