CPI do Crime Organizado aprova requerimentos pedindo quebra de sigilos e convocações ligadas ao Banco Master

Por março 11, 2026Notícias

A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (11), 27 novos requerimentos no âmbito das investigações sobre possíveis vínculos entre instituições financeiras e organizações criminosas. Entre as medidas aprovadas estão pedidos de quebra de sigilo e convocações.

Os senadores aprovaram a quebra de sigilo fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Também foram aprovados requerimentos para quebra de sigilos e envio de Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) referentes a Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.

Outro pedido aprovado determina a quebra de sigilo bancário e fiscal de Mohamad Hussein Murad, conhecido como “Beto Louco”, apontado nas investigações como figura central em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A comissão também aprovou a convocação de dois servidores afastados do Banco Central do Brasil: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização da instituição, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Eles foram afastados por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), após suspeitas de que teriam prestado uma “consultoria informal” ao Banco Master durante investigações.  Outro ponto aprovado, é o pedido de informações à Polícia Federal sobre a Operação Compliance Zero.

O presidente da comissão, o senador Fabiano Contarato, destacou que o objetivo da CPI é esclarecer possíveis falhas no sistema de controle e fortalecer os mecanismos de combate ao crime organizado.

“Nosso propósito, e o que a população espera de nós, é claro: entender como tais esquemas puderam prosperar, identificar falhas em nossos mecanismos de controle e, mais importante, propor soluções concretas para que o Sistema Financeiro Nacional permaneça hígido, protegido de vulnerabilidades e, acima de tudo, a serviço do povo brasileiro”, afirmou.

Depoimentos

Durante a sessão, a comissão também ouviu o empresário João Carlos Mansur, fundador da empresa Reag Investimentos. A empresa é investigada pela Polícia Federal em operações que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro vinculadas ao PCC.

Respeitando decisão judicial, o advogado José Luis Oliveira Lima informou à comissão que o empresário poderia permanecer em silêncio. Ainda assim, Mansur optou por prestar esclarecimentos sobre o histórico da empresa e negou as acusações de irregularidades.

As declarações foram dadas após um apelo do presidente da CPI, o senador Fabiano Contarato, para que o empresário apresentasse ao menos sua versão dos fatos.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também era esperado para falar sobre a atuação de facções criminosas no estado e as ações do governo no enfrentamento ao crime organizado. No entanto, devido a compromissos de agenda, ele não compareceu à sessão.