Com base em pedido de Contarato, investigação contra Ricardo Salles sobre ‘passar a boiada’ volta ao Supremo

Por março 25, 2025Notícias

Ex-ministro do Meio Ambiente é investigado pela Polícia Federal por suspeita de contrabando de madeira.

As investigações contra o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, iniciadas com base em um requerimento do senador Fabiano Contarato (PT-ES), retornarão ao Supremo Tribunal Federal. O ex-ministro é alvo de apurações da Polícia Federal sobre contrabando de madeira, após sugerir “passar a boiada” na área do meio ambiente. O caso será relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.

As investigações contra Ricardo Salles foram abertas após a divulgação da reunião ministerial de 22 de abril de 2020, conduzida pelo então presidente Jair Bolsonaro. Naquela data, Salles sugeriu que o governo aproveitasse a pandemia de Covid-19 para “passar a boiada” e flexibilizar regras ambientais.

“Aproveitando-se de um momento crítico da saúde pública nacional, o ministro Ricardo Salles expressou a intenção de ‘passar a boiada’ e desregulamentar normas ambientais, revelando uma clara disposição para priorizar interesses privados em detrimento da proteção do meio ambiente”, afirmou o requerimento à época, assinado pelo senador Fabiano Contarato, atual presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado.

Além de Contarato, o pedido judicial também contou com as assinaturas do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), da atual presidente da Funai, Joênia Wapichana, e do ex-deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ).

As investigações foram inicialmente arquivadas. Depois, foram reabertas após apurações da Polícia Federal apontarem para a suspeita de facilitação de contrabando, em um esquema envolvendo servidores do Ministério do Meio Ambiente e empresas madeireiras.

Com a saída de Salles do governo, o caso tinha sido enviado à Justiça Federal em Altamira (PA). Agora, ele retorna ao STF após a Corte mudar de entendimento e decidir que tem prerrogativa para julgar os crimes praticados no cargo mesmo após o afastamento do agente público.