A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado encerrou os trabalhos nesta terça-feira (14), no Senado Federal. Sob a presidência do senador Fabiano Contarato (PT-ES), foram 120 dias de atuação, com a realização de 18 reuniões, 19 oitivas, apresentação de 314 requerimentos e análise de 204 documentos.
“Desde primeiro dia à frente da presidência da CPI, meu compromisso tem sido conduzir os trabalhos com coragem, transparência e absoluto respeito ao devido processo legal. Aqui, nossa bússola sempre apontou para o mesmo norte: o compromisso com o povo brasileiro, com a verdade e com a justiça”, destacou Contarato.
De acordo com o senador, a CPI lançou luz sobre uma complexa rede do crime organizado que se estende pelo país. “Nosso trabalho mostrou que a Operação Carbono Oculto identificou vínculos entre o PCC, o Banco Master e a Reag Investimentos; que a Operação Compliance Zero expôs um esquema bilionário, mais de R$ 11 bilhões desviados e camuflados, e que fundos administrados pela Reag teriam movimentado cerca de R$ 250 milhões em favor do crime organizado”, afirmou.
O parlamentar capixaba também ressaltou os desafios enfrentados ao longo dos trabalhos. “Tivemos decisões judiciais que comprometeram, direta e objetivamente, a atuação da CPI. Com todo o respeito ao Poder Judiciário, essas decisões não fortalecem a República. Ao contrário, alimentam a perigosa percepção de que há brasileiros acima da lei, protegidos por uma teia invisível de privilégios. Chegamos ao ponto de ver a competência constitucional da CPI ser questionada, e ritos regimentais utilizados para bloquear decisões legítimas da Comissão”, declarou.
Para o presidente, o encerramento dos trabalhos ocorre não por conclusão plena das investigações, mas pela impossibilidade de prorrogação. “Contra fatos, não há argumentos. Infelizmente, essa CPI não apresentou o resultado que almejávamos. Fomos impedidos de avançar nessa investigação tão importante sobre o crime organizado porque, infelizmente, a presidência desta Casa não prorrogou a comissão. Daí a impossibilidade de realizar novas oitivas e coletar mais provas. Esse é um fato”, lamentou Contarato.
Na última sessão, o parecer final apresentado pelo relator foi rejeitado por 6 votos contrários e 4 favoráveis, encerrando a CPI sem a aprovação de um relatório final.
Instalada em novembro de 2025, a CPI foi criada para investigar o crime organizado. Ao longo do funcionamento, analisou a ocupação territorial por facções e fez um levantamento dos crimes relacionados às atividades econômicas, à lavagem de dinheiro e à infiltração no poder público, além de investigações relacionadas ao caso do Banco Master.